OMS faz alerta sobre novas pandemias
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS) Tedros Ghebreyesus, fez um apelo aos países para se prepararem.
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS) Tedros Ghebreyesus, fez um apelo aos países para que realizem reformas necessárias em preparação de uma próxima pandemia.
Ele advertiu aos Estados-membros que essa é uma realidade, que pode ocorrer a qualquer momento. O alerta ocorre, três anos após a pandemia da Covid-19, e quando a agência inicia sua 76ª Assembleia Mundial da Saúde.
Tedros afirma que o mundo não pode deixar essa responsabilidade para o futuro. O chefe da OMS mencionou que o evento é uma oportunidade valiosa para que líderes tracem uma via clara para esse futuro e que se as mudanças não forem feitas de imediato, o mundo estaria sob risco.
Este ano, a Assembleia Mundial da Saúde também celebra o 75º aniversário da OMS num evento com chefes de Estado e governo de todo o globo. Em debate estão os desafios globais de saúde, com destaque para a Reunião de Alto Nível sobre Preparação e Resposta a Pandemias.
Em mensagem de vídeo para a abertura, o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que a paz depende da saúde. E que uma doença em uma nação põe em perigo a todos.
O líder da organização destacou que a cooperação é essencial para o alcance de um melhor estado da saúde possível para todos em todos os lugares. Para o chefe da ONU, a criação da OMS, há 75 anos, ditou avanços substanciais na saúde humana.
Entre os progressos mais notáveis, ele destacou o aumento em 50% da média global da expectativa de vida e a redução em 60% das taxas globais de mortalidade infantil.
O líder das Nações Unidas ressaltou ainda a erradicação da varíola como "uma conquista significativa" nos esforços globais de saúde.
Já Tedros Ghebreyesus disse haver ainda um caminho longo, mas com destino certo nos avanços. O chefe da OMS apontou desafios complexos da agência à medida que as expectativas do mundo "crescem enormemente" em relação à agência.
Para ele, o fim da Covid-19 como uma emergência de saúde global ainda não é o término do cornonavírus como uma ameaça à saúde humana.
A eventualidade de outra variante, a iminência de surtos de doenças e mortes aliadas ao seu "potencial ainda mais mortal" constam dentre cinco áreas do Plano Estratégico Global de Preparação e Resposta para a Covid-19.
Tedros ressaltou que as pandemias estão longe de ser a única ameaça de um mundo de crises sobrepostas e convergentes, e que uma arquitetura eficaz para a preparação e resposta devem abordar situações de todos os tipos por surgir.
O chefe da OMS lembra que a Covid-19 teve implicações significativas ao travar o cumprimento das metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável relacionadas à saúde e outras áreas.
A 76ª Assembleia Mundial da Saúde deve culminar com decisões sobre o orçamento da OMS para os próximos dois anos, o financiamento sustentável, as reformas, os processos e a responsabilidade da agência.
Ao participar da 76ª Assembleia Mundial da Saúde, em Genebra, a ministra Nísia Trindade disse que "o Brasil está de volta", o que, segundo ela, significa a retomada da defesa da equidade em saúde, da cultura da paz e do multilateralismo, "fundamentais neste tempo".
Em seu discurso, Nísia lembrou os 6 milhões de mortos pela pandemia de covid-19 em todo o planeta, sendo 700 mil apenas no Brasil, "com grave impacto nos sistemas de saúde, na saúde mental e na economia". "Precisaremos de sistemas nacionais de saúde mais preparados para as emergências que virão".
A ministra da Saúde defendeu ainda o enfrentamento de desafios relacionados a mudanças climáticas e seus impactos na área de saúde. "Recordemos que mais da metade do tempo para realizar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável já transcorreu e, a despeito de alguns avanços, estamos em grande parte do mundo em situação pior do que antes da covid-19".
A saída, segundo Nísia, é fortalecer sistemas de vigilância e de saúde como um todo, além de mais inovação, transferência de tecnologia e financiamento voltados para sistemas de saúde mais equitativos. "Em tempos de inteligência artificial e avanços na saúde digital, é crucial que essas sejam ferramentas acessíveis e eticamente orientadas".
"Temos que descentralizar a produção de medicamentos, vacinas e insumos estratégicos para garantir o acesso equitativo em todo o mundo. Trabalhar para reduzir as desigualdades e, diante e entre elas, a desigualdade de acesso aos benefícios do conhecimento científico e tecnológico. Desigualdade faz mal à saúde."
Para a ministra, não será possível alcançar tais objetivos sem o que ela chama de reforma da arquitetura global da saúde que a torne mais ágil e coesa, que coloque a Organização Mundial da Saúde (OMS) no centro desse processo e que reduza as desigualdades entre países e regiões.
"Reforço a proposição que o Brasil traz a essa assembleia, de uma resolução com defesa do respeito às especificidades da saúde dos povos indígenas", disse. "O Brasil voltou para somar sua voz e sua atuação em defesa da equidade em saúde, da paz e da solidariedade internacional", concluiu.
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