O Metaverso é um ambiente digital, no qual os indivíduos podem usufruir por meio de diferentes tipos de tecnologias, interagindo e alternando, simultaneamente, entre o mundo físico e o digital. Partindo desta premissa, trata-se de um território totalmente inexplorado em sem regulação, cujas interferências humanas podem influenciar o comportamento de outros usuários, bem como induzir modificações na própria plataforma tecnológica, através de metodologias de inteligência artificial e machine learning. Ou seja, trata-se de um ecossistema digital em constante mutação, que influencia e interage com seres humanos, sem qualquer tipo de fronteira. E é neste contexto que é necessário entender, interpretar e até mesmo impor regulações e limites, para que fraudes, abusos e assédios sejam identificados e evitados.
E neste, contexto, o Metaverso também é um ambiente assiduamente atacado. De acordo com um relatório recente da empresa de segurança cibernética Arkose Labs, houve um aumento maciço de 85% em fraudes e ataques online em 2021, em comparação com 2020. Esse aumento afetou quase todos os setores, mas As empresas do metaverso estavam entre os alvos mais quentes, enfrentando 80% mais ataques de bots e 40% mais ataques humanos do que outras empresas. O relatório conclui que: “Com invasores altamente persistentes e altas apostas, as empresas que investem no Metaverso devem valorizar a confiança e a segurança no login, registro e ações na plataforma para proteger identidades digitais em seus mundos virtuais.”
O conceito conhecido como Metaverso pode se tornar um mercado de US$ 800 bilhões até 2024, segundo a Bloomberg Inteligence.
Em 29 de março de 2022, a plataforma Axie Infinity, jogo da modalidade conhecida como Play-To-Earn, baseado na blockchain Ethereum e alimentado por NFTs (Tokens Não Fungíveis), onde os jogadores podem ganhar, possuir e negociar ativos digitais, reportou perda de mais de US$ 625 milhões causada por um ataque cibernético. O ataque foi entendido como um dos maiores ataques digitais e mostra o nível de risco, tanto financeiro quanto de reputação, que essa indústria nascente enfrentará à medida que cresce.
Outras plataformas digitais, que são consideradas inseridas no conceito Metaverso, tais como Decentraland, Roblox e The Sandbox, usam NFTs para representar itens dentro de seus mundos virtuais que podem ser de propriedade e transacionados pelos jogadores, por exemplo, roupas ou acessórios para um avatar, eventos de ingressos, ativos no jogo, assessórios, bem como outros produtos e serviços a serem desfrutados pelos usuários.
O Metaverso ofereçará muitas opções novas de consumo e formas diferentes de como comprar e expressar nosso status. Só que esta personalização vai ter um custo que incentivará a aquisição de roupas, adereços, casas, objetos de decoração e até mesmo bebidas digitais. A Heineken, uma das maiores marcas cervejarias do mundo, anunciou sua entrada oficial no Metaverso, junto com o lançamento da primeira cerveja virtual. Grandes marcas, como Chanel e Balenciaga, já criaram roupas virtuais para que seja possível traduzir status e estilo na realidade virtual do Metaverso. Em junho de 2021, uma bolsa Gucci, somente disponibilizada para o ambiente digital, foi vendida na plataforma interativa de jogos eletrônicos denominada Roblox por mais de US$ 4 mil, o que é mais do que o valor da bolsa física. A tradicional marca de roupas inglesa Burberry fez parceria com a empresa de jogos eletrônicos Mythical Games em agosto de 2021 para expor e comercializar uma coleção sapatos digitais em seu principal jogo multiplayer chamado Blankos Block Party. Tais diferenciais se tornarão cada vez mais cobiçados, abrindo-se grande oportunidade na prestação de novos serviços e criação de novos produtos, visando a exclusividade e a personalização de itens de status digital para o Metaverso, como fazemos no mundo físico. Para fazer parte deste ambiente, também serão ofertadas recompensas digitais, onde será possível remunerar o usuário com criptomoedas em troca de serviços específicos, compartilhamento de informações ou meramente coleta de dados pessoais. Alimentado pela tecnologia Blockchain, os usuários do Metaverso ganharão recompensas de jogo por contribuições ao ecossistema, que podem ser trocadas fora do ambiente digital por meio de mercados secundários, em dinheiro real.
Focando-se em um exemplo brasileiro, o Boticário, uma das principais marcas brasileiras de cosméticos, realizou uma ativação de 5 semanas com uma loja virtual dentro do Avakin Life, um jogo de simulação de vida em 3D para computador e videogame móvel desenvolvido e publicado pela Lockwood Publishing, uma empresa com sede em Nottingham, Inglaterra. No total, houve mais de 2,3 milhões de acessos únicos entre 16 a 22 de fevereiro de 2020. Em 20 de fevereiro, o Avakin Life atingiu o maior número de downloads em todo o ano de 2020 no Brasil, que é um dos mercados mais fortes para o Avakin Life. Se os usuários acreditarem que seus investimentos em itens digitais podem reter valor fora do Metaverso, essa transposição de fronteiras pode incentivar gastos adicionais.
Assim sendo, à medida que mais e mais aspectos de nossas vidas se tornam passíveis de experiência no Metaverso – comunicação, trabalho, educação, entretenimento, finanças, perfis pessoais, reputação e assim por diante – todos representados por NFTs, nossas próprias identidades se tornarão cada vez mais entrelaçadas com o conteúdo de nossas carteiras digitais. Por esse motivo, ter uma identidade digital portátil e combinável que preserve a privacidade e forneça segurança se tornará de suma importância neste futuro do Metaverso.
Neste sentido, o alvo principal dos cibercriminosos serão as carteiras digitais, ou seja, aplicativos que armazenam endereços de usuários, informações de pagamento e chaves, e que podem ser usados para assinar transações e autorizar pagamentos em outros sites e aplicativos. Um tipo de ataque que já está sendo aplicado, mas pode se tornar mais popular no futuro, à medida que as carteiras se tornarem mais comuns, será a clonagem de carteira. Nesse tipo de ataque, um cibercriminoso força as vítimas, de forma ardilosa, a fornecer suas senhas secretas usadas para recuperar as carteiras digitais, geralmente por meio de técnicas de engenharia social, como uma solicitação feita por alguém que atua como suporte ao cliente ou enganando os titulares de carteiras digitais em processos de verificação falsos.
Ou seja, a fragilidade não está na tecnologia em si, mas principalmente no usuário, ser humano, que é o elo mais fraco de todas as variáveis inseridas no Metaverso. Então, se capacitar e sempre desconfiar de fraudes é o melhor remédio para evitar qualquer tipo de infração.
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