Por Thiago Sendon, Gerente Comercial na Atlas Renewable Energy
Durante o recente Fórum Manufatura, a Atlas apresentou um caminho claro para o fortalecimento da competitividade industrial, ancorado em uma nova abordagem estratégica para o mix de energia renovável. Essa estrutura se baseia em três pilares interconectados: PPAs e autoprodução, sistemas de armazenamento de energia (BESS) e eletrificação de processos.
Referência em geração fotovoltaica centralizada no Brasil, a Atlas mantém um portfólio de cerca de 8,4 GW em projetos contratados na América Latina, que contribuem para a redução anual de mais de 1,8 milhão de toneladas de CO₂. A empresa ampliou sua presença no setor por meio de sua controladora, a Global Infrastructure Partners (GIP), que firmou uma joint venture com a Vale S.A. ao adquirir 70% da Aliança Energia S.A.. O portfólio da Aliança adiciona aproximadamente 5 GW de capacidade instalada em fontes solar, eólica e hidrelétrica, consolidando a atuação da Atlas e da GIP entre as principais plataformas de geração de energia do País.
O primeiro pilar, voltado à autoprodução, tem sido determinante para a expansão da geração renovável no Brasil, acelerando a transição energética de forma sustentável. Esse modelo de negócio vem ganhando força nos últimos anos, especialmente entre grandes consumidores e setores intensivos em energia — como o de data centers — que buscam otimizar custos e fortalecer suas estratégias de descarbonização. Além de estimular novos investimentos em fontes limpas, a autoprodução contribui para melhorar o desempenho de sustentabilidade das empresas, aumentar sua competitividade e avançar de forma concreta na jornada de descarbonização.
O segundo pilar aborda a integração de sistemas de armazenamento de energia por baterias (BESS), tecnologia essencial para mitigar a intermitência das fontes renováveis e permitir uma gestão mais estratégica do consumo. Além de funcionarem como fonte de backup confiável, esses sistemas aumentam a estabilidade e eficiência da rede elétrica.
A Atlas Renewable Energy possui expertise comprovada nesse segmento, com destaque para o BESS del Desierto, no Chile — um dos maiores projetos de armazenamento de energia da América Latina, com capacidade de 200 MW/800 MWh. O projeto, desenvolvido em parceria com a Copec, armazena energia solar durante o dia e a libera nos horários de pico, garantindo maior equilíbrio ao sistema elétrico. Essa experiência tem servido de referência para a expansão de iniciativas semelhantes em outros países da região, incluindo o Brasil.
As projeções para o mercado brasileiro são igualmente promissoras: a capacidade de armazenamento por baterias pode alcançar 47 GW até 2050, impulsionada pela redução de 82% nos custos das baterias de íon-lítio na última década.
Por fim, o terceiro pilar se concentra na eletrificação de processos, um componente essencial para o cumprimento das metas globais de redução de emissões. Essa estratégia não apenas amplia o acesso à energia limpa, mas também estimula a adoção de novas tecnologias. A eletrificação pode ser responsável por até 20% da redução total de emissões no cenário de Net Zero e, segundo projeções, gerar 14 milhões de empregos no setor de energia renovável até 2030. De acordo com a Agência Internacional de Energia (AIE), setores como o de alumínio e papel podem ver a participação da eletricidade em sua matriz energética aumentar de 43% para 76% até 2050.
A mensagem é clara: a combinação estratégica desses três pilares não é apenas uma escolha, mas o caminho para a indústria prosperar em uma economia de baixo carbono. Essa abordagem sinérgica gera benefícios econômicos tangíveis e avança a sustentabilidade ambiental, posicionando as empresas de forma competitiva no mercado global.
Autor: Thiago Sendon, Gerente Comercial na Atlas Renewable Energy
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