Green Money estimula os investimentos responsáveis
Uma das
tendências
do mundo quando o assunto é sustentabilidade é o chamado Green Money, ou, numa tradução livre, "dinheiro verde". Não se trata de uma moeda propriamente, mas de investimentos socialmente responsáveis com relação ao ambiente.
São empresas que apresentam equilíbrio e justiça social, sustentabilidade e elevada governança corporativa. O grande desafio das empresas sustentáveis no século 21 é trabalhar de modo que o
ambiente
não seja prejudicado, tentando poluir cada vez menos ao produzir.
O professor e pesquisador de permacultura Marcelo Venturi enfatiza que "as empresas mais sustentáveis sempre são as locais. Quanto menor e que produza com produtos locais, mais sustentável é a empresa. Quanto maior e mais dependente de produtos de lugares mais distantes, mais insustentável", explica.
Portanto, o produto da rua em que se vive é mais eficiente, pois valoriza o que é local. "Gosto da ideia de ter uma horta em casa e uma composteira", diz Venturi, enquanto reflete que é preciso olhar para as grandes empresas, que também são as responsáveis pelos maiores danos ao meio ambiente.
No Brasil, as cincos empresas mais sustentáveis são:
Natura Cosméticos
,
Unilever
,
Nestlé
,
Valeo
e
Samsung
.
"O que essas empresas têm em comum é demonstrar como é possível crescer, produzir e vender respeitando os recursos naturais e a continuidade harmônica das relações entre os seres vivos", pontua a estudante da pós-graduação em engenharia ambiental da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), Paula Guerra, 32 anos.
Porém, ainda que o mundo corporativo esteja tomando um rumo mais consciente é preciso que o consumo também caminhe para essa direção. "A sustentabilidade está no batimento de produzir e consumir. E isso tem a ver com o estilo de vida das pessoas, que impacta diretamente na poluição do planeta", acredita.
Uma pesquisa feita pela
UFRN
(Universidade Federal do Rio Grande do Norte) constatou que se a população mundial adotasse o nível de consumo da população norte-americana, precisaríamos de quatro a cinco planetas para manter tal estilo de vida. A matemática é simples: subtrair recursos da natureza para os processos de transformação é gerar resíduos. Ou seja, a exploração de recursos naturais e o descarte inconsciente de resíduos, derivado do consumo exagerado custa caro. Há um limite para as transformações sobre o planeta, que está pautada na noção de sustentabilidade.
Se no âmbito corporativo e governamental temos ações que exigem grandes investimentos financeiros para a sustentabilidade, no dia a dia o que nos impede de adotar este estilo de vida são os hábitos nocivos, como tomar banhos demorados ou deixar luzes acesas ao sair dos cômodos – o que desperdiça recursos primordiais como água e energia.
Fabiana Tasca, 32 anos, é engenheira sanitarista e integrante da Acesa (Associação Catarinense de Engenheiros Sanitaristas e Ambientais). Ela sugere que uma sociedade sustentável precisa de qualidade e não de quantidade. "Ouço por aí que é difícil aplicar a sustentabilidade no dia a dia, que é caro, que acorreria não permite. Mas não praticá-la nem sequer deveria ser uma opção, visto o seu significado", afirma Fabiana.
Na Semana do Meio Ambiente 2022, promovida pela
UFSC
, entre os dias 20 e 24 de junho deste ano, a nutricionista vegana e ambientalista Alessandra Luglio indicou cinco atitudes para um estilo de vida mais sustentável.
Confira e pratique:
A ideia é pensar em formas de consumo mais saudáveis para a população e o planeta, com foco na conservação da vida de um ecossistema, isto é, da comunidade e do meio ambiente.
O nome da família é Natureza Orgânica nas redes sociais. O lema: natureza, amor e conexões para uma nova era. Letícia Wagner, gaúcha de28 anos, e Gabriel Neto, mineiro de30, estão juntos há 10 anos, desde2012. Esse amor gerou Gaia, de uma no e 6 meses, nascida em Garopaba, no litoral catarinense.
Hoje, os três corações habitam a cidade universitária da Pedra Branca. A rotina do casal é acordar às5h, meditar e fazer yoga. Depois, despertam a pequena Gaia às 6h. Pela manhã, preferem comer frutas, compradas no comércio local.
Então, começam os cuidados com a filha: trocar a fralda de pano e vestir a roupinha do dia. Todas as roupas de Gaia são compradas em brechó. "A gente acredita que a roupa mais ecológica é aquela que já existe no planeta, por todos os impactos ambientais’’, declara Letícia.
Gabriel leva a filha de bicicleta para a creche, evitando a emissão de carbono, enquanto Letícia começa a ajeitar a casa e a lavaras fraldas de pano do dia anterior. "A Gaia nunca usou uma fralda de plástico, optamos por roupas de brechó e fraldas de pano desde que ela nasceu", contam. Em seguida, começa o preparo do almoço, com alimentos orgânicos e agroflorestais e o mais local possível. Eles não consomem carne.
A limpeza da louça, da roupa e da casa é feita com um produto biodegradável, ecológico, caseiro e que não faz mal nem para a pele da família, nem para o meio ambiente: sabão de coco em barra, o mais natural possível. A ida ao supermercado é só para compras muito pontuais e eles levam sacola ecológica para não usar plástico ou papel. Eles não compram alimentos embalados, apenas o pão.
E as sacolas plásticas vão para o lixo do banheiro. "Não usamos materiais que derivam do petróleo; o plástico de uso único é muito prejudicial para o meio ambiente", alerta Letícia. No começo da tarde, Gaia volta para casa de bicicleta com a mãe, e é hora do banho, com esponja vegetal e shampoo, condicionador e sabão sólidos. Depois, Gaia e a mãe aproveitam para brincar ao ar livre e entrar em contato com a natureza. Além das roupas, os brinquedos da Gaia são achados ou de doação.
"Não compramos brinquedos para a Gaia, a maioria ela ganha de uma criança que não brinca mais, ou trocamos com algum amigo do condomínio. Sempre que vamos fazer o trabalho de limpar a praia em Garopaba, encontramos brinquedos para ela brincar. Tudo achado, recolhido e retirado da praia."
Segundo Letícia, a sustentabilidade rege tudo na vida da família, que pensa duas vezes antes de consumir algo novo. A ideia é tentar consertar antes de comprar. Enquanto isso, Gabriel toca a empresa Agroforestry Carbon, que trabalha na compensação de carbono no sistema agroflorestal, orientando o pequeno agricultor apensar em novas fontes de renda.
No fim do dia é hora da janta: comida vegana. A família não come fora. "A gente preza muito por comer em casa, por questão de saúde, estar em família e confraternizar", diz a mãe. No fim do dia, Gabriel faz a destinação correta do lixo. A reciclagem consciente também é adotada pela família.
Todos os materiais são devidamente destinados. A rotina deles é pautada na alimentação saudável e consciente, e não poderia ser diferente. A mãe da Gaia é enfática quando diz: "Tudo que você come impacta a sua saúde e o meio ambiente".
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