Em um dos principais eventos de inovação do mundo, o C2 Montreal, ocorrido no Canadá em Outubro de 2022, e que tem como um dos principais curadores do festival o Cirque du Soleil, uma das principais temáticas abordadas foi como conquistar e reter esta nova mão de obra talentosa e digital, formada por profissionais entre 20 a 30 anos, que não se seduz apenas por dinheiro, mas precisam entender e sentir que a empresa onde irão trabalhar estão engajadas em princípios de sustentabilidade, diversidade e integridade, incluindo um projeto de vida que lhe traga sentido, bem como equilíbrio emocional e financeiro.
Assim sendo, um dos pontos de referência para este profissional também é a flexibilidade na sua jornada de trabalho, ou seja, poder trabalhar quando e onde quiser, e na hora que lhe convir, sendo cobrado pela performance, na execução e cumprimento de metas, e não na forma presencial, que é a mais tradicional, “batendo cartão”. Esta modalidade flexível foi sacramentada após as quarentenas advindas da pandemia durante a COVID, de 2020 a meados de 2022, onde os empregados se acostumaram a trabalhar da forma digital e remota e, na atualidade, aceitam no máximo a modalidade híbrida, ou seja, parte do tempo presencial e a outra parte, onde o profissional estiver.
De acordo com um estudo da plataforma de contratação de freelancers Fiverr (nos EUA), 47% das empresas planejam mudar o esquema de trabalho remoto em 2023, e por razões que podem ser surpreendentes. A pesquisa ouviu mais de mil gerentes e executivos e outros mais de mil empresários. A seguir, alguns dos pontos mais interessantes levantados:
Os gerentes querem os funcionários de volta ao escritório para poder ficar de olho neles
– Um terço disse que as pessoas ficam mais motivadas quando sabem que estão sendo observadas por seus superiores.
– Um em cada quatro disse que é para que os empregados reduzam o tempo dos intervalos.
– Outros 25% têm razões menos “altruístas” para querer o pessoal em suas mesas de trabalho: eles estão pagando pelo espaço.
– Já 42% dizem que é para que os funcionários tenham acesso aos recursos da empresa, como computadores e impressoras.
Executivos e líderes de grandes empresas são mais propensos a apoiar o retorno aos escritórios
– Dois terços dos executivos querem que seus funcionários voltem ao trabalho em tempo integral. Entre a média gerência, essa proporção é de 54%.
– Nas empresas com mais de 500 empregados, 67% dos chefes querem o pessoal de volta full time, contra 45% daqueles em companhias com menos de 100 funcionários.
Os trabalhadores, no entanto, não estão muito dispostos a voltar
– Cerca de 42% disseram que considerariam pedir demissão se tivessem que voltar a trabalhar na empresa em período integral.
– 61% admitiram que voltariam se ganhassem aumento de salário.
– Um em cada cinco disse que nenhum incentivo o faria retornar ao escritório.
Assim, a sociedade está em vias de enfrentar um dilema: as empresas tendem a exigir o retorno ao trabalho presencial e os empregados vão apresentar restrições ao retorno das antigas e restritivas práticas laborais.
Do meu ponto de vista, é possível as empresas e os empregados mediarem uma solução harmônica, desde que ambos estejam abertos para debater e renunciar a alguma coisa pois, para que seja possível aproveitar os recursos e benefícios do trabalho presencial, que é muito interessante do ponto de vista de engajamento e disseminação/compartilhamento de conhecimento, bem como desfrutar dos benefícios do trabalho remoto, é necessário abrir mão de algo para se chegar a um consenso.
Entretanto, quem estará mais aberto para debater? A empresa ou o empregado?
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