Estudo aponta que o afroempreendedorismo movimenta cerca de R$ 1,73 trilhão por ano
Também realizado pelo Jornal CORREIO, O desfile do Afro Fashion Day apresenta o trabalho de afroempreendedores baianos. Crédito: Lucas Assis
Os novos tempos trouxeram para o brasileiro uma vontade latente de empreender, seja pela perda de empregos na pandemia ou pelo sonho de sair da CLT e conquistar mais liberdade social, financeira e geográfica. A tarefa não é tão fácil e para a comunidade afrobrasileira os desafios se revelam maiores, embora grande parte dos empreendedores do país sejam classificados como negros ou pardos.
A pesquisa "Afroempreendedorismo Brasil", realizada e divulgada em 2021 pela RD Station, Inventivos e o Movimento Black Money, mostrou que o segmento é, em sua grande parte, feminino, solitário e engloba áreas de estética, gastronomia, moda, audiovisual e comunicação, além da música e da economia criativa. Foram ouvidas 1.016 pessoas, tendo 701 respostas válidas. 61,5% da amostra refere-se à mulheres cis, e 36,4% a homens cis.
O estudo apontou que o afroempreendedorismo movimenta cerca de R$ 1,73 trilhão por ano e, embora 56% da população brasileira seja negra, ainda existe uma diferença de renda de 40% entre negros e brancos. 48,6% dos entrevistados disseram que ainda não tinham rentabilizado seus negócios.
Onde estão os gargalos?
O que quase não se fala é que este público, ainda por preconceito, enfrenta dificuldades para prosperar seus negócios. Desafios que incluem acesso a investimento, networking e contatos, além da barreira para dar visibilidade aos empreendimentos, o que se restringe às redes socais.
"Esses três pontos são grandes obstáculos e, dentro de um contexto maior, existe o desafio de treinamento e qualificação. Infelizmente a nossa escola, desde o ensino básico, não nos ensina coisas como: o que é financiamento, microeconomia, ou macroeconomia, e não nos ensina a olhar o nosso trabalho com um olhar de empreender. Isso dificulta as pessoas entenderem como planejar e empreender", comenta Paulo Rogério Nunes, empreendedor, publicitário e consultor em diversidade, cofundador da Vale do Dendê e da empresa AFAR Ventures, consultoria com foco em economias emergentes e mercados multiculturais.
Paulo Rogério Nunes participará do Agenda Bahia no painel "Desafios, impactos e cases da comunidade preta no mundo empreendedor e da tecnologia". Crédito: Divulgação
Será com sua participação que o Agenda Bahia trará essa discussão no painel "Desafios, impactos e cases da comunidade preta no mundo empreendedor e da tecnologia", no dia 11, no SENAI CIMATEC, localizado no bairro de Piatã, em Salvador. As incrições, gratuitas, podem ser feitas pelo site www.agendabahiacorreio.com.br.
De acordo com Paulo, existem agruras, mas também possibilidades, pois há uma conjuntura pública favorável ao tema, tanto no município quanto nas esferas estadual e federal. As empresas estão, finalmente, olhando para este empreendedorismo, e algumas, inclusive, buscam diversificar a sua cadeia produtiva, comprando de pequenos empreendedores de comunidades. "Há um interesse, inclusive, internacional. O Brasil já é visto como um celeiro de cultura afro e as pessoas querem saber que tipo se empreendedorismo pode surgir daqui, porque há um potencial grande, porém, ainda precisa de mais investimento e maior visibilidade", destaca.
Tecnologia
A mesma ferramenta que já eliminou empregos também pode ser aliada para alavancar o empreendedorismo. A tecnologia é, sem dúvida, o caminho para crescer negócios. Se antes era preciso entender de programação ou ter recursos para contratar profissionais, hoje as soluções chegam por aplicativos e existem soluções de Inteligência Artificial para criar sites, gerar volume de negócios, criar conteúdo e desenvolver ideias. "Só precisamos tomar cuidado para que a tecnologia não seja uma vilã, no sentido de que temos que treinar as pessoas e divulgar as ferramentas para que elas possam acessar o mais rápido possível, de forma que possam escalar seus negócios", enfatiza Paulo.
Agenda Bahia traz temas transversais que destacam diversidade e inovação
Pela riqueza do tema e por dialogar com outros assuntos do mundo de hoje, o afro empreendedorismo e a tecnologia não poderiam ficar de fora da programação do Agenda Bahia, que em apenas um dia consegue apresentar um panorama completo, profundo e relevante sobre as principais tendências de inovação e desenvolvimento da sociedade atual.
Esta intersecção de assuntos só é possível graças a um trabalho preciso de curadoria do conteúdo. O evento conta pela segunda vez com a expertise de Rodrigo Paolilo, co-fundador e CEO do Grupo Rede+ e presidente do Instituto Inova+. O primeiro passo foi entender a abrangência do tema central "Conectados", levando em conta variados pontos de conexão, que abrangem desenvolvimento social e corporativo, mundo digital, atuação em redes, futuros, economia e conexão com as nossas origens.
Tudo isso no contexto de uma experiência de imersão digital e física, já que o evento contará com público presencial, ao mesmo tempo em que pessoas de outras partes do mundo poderão acompanhar a transmissão online, através do site. Ou seja, uma vivência figital, que dá uma visão do crescimento do evento em sua 14ª edição.
"Como uma pessoa que tem lidado com educação empreendedora e inovação há duas décadas, faz parte do meu DNA participar de projetos com práticas e mindset de inovação. O Agenda Bahia está muito alinhado ao propósito pessoal e o da minha empresa. É um sentimento de conexão", comenta o curador Rodrigo Paolilo.
Rodrigo Paolilo, curador do Agenda Bahia. Crédito: Divulgação
Além do público presencial esperado, haverá também uma participação online, até porque a programação é de interesse geral, unindo diversidade e inovação. Segundo Rodrigo, a definição temática partiu de estudos, pesquisas, análises e garimpos em redes sociais. "O maior desafio foi perceber a demanda da sociedade e encontrar as principais referências, as melhores pessoas e talentos que poderiam trazer inspirações para o público".
O Agenda Bahia 2023 é uma realização do CORREIO, com patrocínio da Unipar, apoio institucional da Prefeitura de Salvador, FIEB e Sebrae, apoio da Wilson Sons, Salvador Bahia Airport, Suzano, Sotero, Solví, Salvador Shopping Online e 4events e parceria da Braskem e Rede+.
Por Márcia Luz, para o Estúdio Correio.
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