4min de leitura

A COP 27 e os planos ‘net-zero’ medíocres

Artigo: Sem pressa para resolver o problema da mitigação na COP27 Compromissos ambientais e sociais: BNDES anuncia na COP27 que vai dobrar recursos para crédito ESG Talvez por isso a pesquisa 2022 Edelman Trust Barometer, feita com 14 mil pessoas em 14 países, identificou que 64% dos entrevistados acham que os negócios estão sendo medíocres em seus planos de descarbonização, e metade não confia em CEOs e suas promessas climáticas. Partiu do secretário geral das Nações Unidas, António Guterres, a decisão de cravar uma estaca na epidemia de greenwashing que se espalhou pelo setor privado. Juntou peritos internacionais e criou um High Level Expert Group para analisar os compromissos net-zero de quem não é governo. - Era evidente que tínhamos uma grande lacuna no espaço climático. Um número crescente de governos e atores não-estatais estão se comprometendo a descarbonizar, e isso é uma boa notícia -disse Guterres no lançamento do "Integrity Matters: Net zero commitments by business, financial institutions, cities and regions". Ele seguiu: - O problema é que os critérios para estes compromissos net-zero têm lacunas tão grandes que até um caminhão-tanque de petróleo consegue passar por eles. Transição: Com Amazônia, Brasil pode liderar economia de baixo carbono e ser exemplo para países vizinhos A advogada Catherine McKenna apresentou as linhas gerais do relatório que busca dar credibilidade às promessas climáticas observando a integridade ambiental, a prestação de contas e o papel dos governos. Os planos têm que ter objetivos de curto e médio prazos com metas para 2025, 2030 e 2035. Um trabalho detalhado deve ser feito na cadeia de valor das empresas. Avanços ou falhas precisam ser reportados com transparência, serem verificados e, obviamente, públicos. A coordenadora do estudo lembrou que os parâmetros feitos pelos 18 especialistas de Austrália, Índia, Estados Unidos e China, entre outros países (há um brasileiro, Joaquim Levy, ex-ministro da Fazenda e diretor do Banco Safra), incluíam ambição no corte de emissões. - Não pode só reduzir a intensidade das emissões. Tem que cortar emissões absolutas - cobrou. Biomas: Grandes empresas se unem para restaurar, conservar e preservar 4 milhões de hectares de florestas nativas no Brasil Produtos relacionados a desmatamento são desqualificados. Também não vale comprar créditos de carbono baratos, de baixa integridade e que causam danos a povos indígenas. - Vamos ser honestos: há um limite para o alcance de promessas voluntárias. Pedimos aos governos que regulem compromissos net-zero, começando pelos grandes emissores - seguiu a canadense. Arrancou aplausos ao dizer que "líderes climáticos comprometidos com net-zero não podem continuar a investir em sistemas que contam com o fornecimento de combustíveis fósseis". Seguiu: "E não pode ser líder climático e fazer lobby contra ação climática". Esforços e desafios: A COP 27 não tem a mesma energia da COP 26 Guterres, por seu turno, pediu tolerância zero para o net-zero greenwashing. A COP no Egito, contudo, tinha mais lobistas da indústria de carvão, petróleo e gás que delegados de nações insulares. A conferência não avançou um palmo no compromisso vago de Glasgow de reduzir o uso de carvão de usinas que não sequestram carbono (tecnologia, aliás, não disponível comercialmente). Não ter uma mensagem clara contra o uso de combustíveis fósseis foi o fracasso de Sharm El-Sheikh. Sobre a autora: Daniela Chiaretti é repórter especial de ambiente do Valor Econômico. Venceu o prêmio Esso de 2011 na categoria Ciência
0 comentários

Deixe seu comentário