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A Comunicação na Sociedade 5.0

Na era da Internet das Pessoas, o ser humano está no centro de toda a evolução tecnológica alcançada pela Indústria 4.0. Na Sociedade 5.0, a tecnologia foca-se na melhoria da qualidade de vida e a Comunicação acompanha esse movimento, aproximando as pessoas do que realmente importa. O conceito de sociedade 5.0 surge pela primeira vez no Japão, em 2016, e refere-se à emergência de um modelo social que coloca os avanços tecnológicos da indústria 4.0 a favor das pessoas, no sentido de garantir uma maior qualidade de vida aos seres humanos, num movimento de convergência entre os espaços físico e virtual. Este projeto do governo japonês tem como objetivo equilibrar o desenvolvimento económico com a resolução de problemas sociais, com base em tecnologias como big data, a internet das coisas ou a inteligência artificial, para potenciar e aumentar o bem-estar humano de forma completa e integrada. A convergência entre o mundo físico e o digital foi em muito acelerada pela pandemia de Covid-19, que impulsionou ainda mais o processo de digitalização, de uma forma transversal a toda a sociedade. As tecnologias da informação e da comunicação assumiram simultaneamente o papel de impulsionadoras e intermediárias da sociedade 5.0, à medida que começaram - e continuam - a ser amplamente utilizadas em diversos quadrantes sociais, desde as atividades económicas, governamentais, de saúde, entretenimento ou educação, entre outras. Assistimos agora à evolução da Internet das Coisas para a Internet das Pessoas, onde as pessoas e os seus dispositivos se tornam não apenas utilizadores, mas elementos ativos da Internet. À medida que este novo modelo social vai tomando forma, e que a Indústria 5.0 começa também ela a ganhar cada vez mais expressão, com o avanço da hiper-customização e da otimização da eficiência humana, são vários os desafios que se colocam às empresas e à forma como estas comunicam. Conhecer a Sociedade 5.0 e o que ela propõe é absolutamente vital para que as empresas possam responder de forma efetiva às necessidades emergentes, e adaptarem eficazmente as suas mensagens e formas de comunicar. Mais do que nunca, a Comunicação deve ser humanizada e centrada nas relações entre pessoas, com um propósito claro, uma direção e uma intencionalidade. E essa intencionalidade começa agora ser definida com base em dados objetivos, obtidos, por exemplo, através da recolha e análise de dados, o que permite não só segmentar objetivamente as audiências, como conhecer as suas preferências e reais necessidades. Num universo tão vasto - e muitas vezes poluído - como é o digital, que se encontra em constante e rápida transformação, uma comunicação eficaz exige uma articulação integrada com outras áreas corporativas, como o marketing, o digital, o design ou a área comercial, para direcionar eficazmente as mensagens, escolher os canais mais adequados e otimizar os recursos, assegurando melhores resultados e proporcionando uma medição objetiva dos mesmos. Uma boa comunicação não existe sem um bom produto ou serviço, por isso a Comunicação Corporativa na sua vertente bidirecional - capaz de transmitir mensagens da empresa aos públicos e de trazer o feedback da audiência de volta à empresa - possibilita que a própria Gestão otimize e adeque os seus produtos e serviços às reais necessidades dos seus clientes. Numa perspetiva operacional, a tendência é cada vez mais a hibridização, articulando ações offline com iniciativas online (estratégia omnicanal) para posicionar eficazmente as marcas e as suas mensagens-chave, numa perspetiva inbound. A sustentabilidade, um dos pilares da Sociedade 5.0 (juntamente com a inclusão e a qualidade de vida) também deve ser colocada no centro da experiência - e das suas mensagens. Estas tendências são confirmadas pelo Digital Mastery Report do Capgemini Research Institute, que concluiu que para serem bem-sucedidas no processo de digitalização, as empresas devem, entre outros fatores, colocar um propósito claro e a sustentabilidade no centro do seu modelo de negócio, assim como tornarem-se data-powered e reinventarem a sua experiência de cliente. Ao contrário do que parecia anunciado, não vamos tornar-nos robôs. Pelo contrário, a transformação digital parece estar a colocar a tecnologia ao serviço da experiência humana. Nesse contexto, comunicar é reduzir distâncias, aproximando pessoas e organizações nesse esforço conjunto que traçamos, enquanto coletivo, de criar um mundo melhor. Daniela Agra, Diretora ATREVIA Porto e Diretora Estratégica Brasil
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