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O círculo da sustentabilidade corporativa está se apertando

A transição para uma sociedade de fato sustentável, e, portanto, mais justa e igualitária, requer esforços de países, empresas, bancos e indivíduos. A ciência é clara e o contexto é de urgência e cooperação: as emissões totais de gases de efeito estufa da humanidade precisam parar de crescer até 2025, diminuírem em 45% até 2030 e zerarem em torno de 2050 para conseguirmos limitar o aquecimento global a 1,5° C em relação à era pré-industrial. Corroborando este consenso, 192 países, incluindo o Brasil, assinaram o Acordo de Paris (2015) se comprometendo com metas voluntárias de descarbonização. Em resposta ao acordo, dezenas de iniciativas corporativas ganharam força. Entre elas, duas se destacam: A primeira é a Science-Based Targets Initiative (SBTi), que estipula regras para definição, validação e revisões de metas de descarbonização baseadas em ciência - ou seja, condizentes com as trajetórias setoriais necessárias para limitar o aquecimento a 1,5°C. A iniciativa já une quase 3000 empresas se comprometendo a zerar suas emissões líquidas (tornarem-se Net Zero) até 2050, que, juntas, detêm quase 90% do PIB global. A outra é a Taskforce for Climate Related Financial Disclosures (TCFD), criada pelo Conselho de Estabilidade Financeira do G20, que oferece recomendações para padronizar o gerenciamento, avaliação e publicação da exposição das organizações aos riscos climáticos - dando visibilidade e transparência inéditas ao tema e incitando ações para mitigar estes riscos que podem desestabilizar sistemas financeiros. Mais de 3.300 organizações já aderiram às recomendações da TCFD. Além disso, reguladores de diversos países - incluindo o Banco Central do Brasil - aprovaram regras que obrigam bancos e/ou segmentos empresariais a seguirem essas recomendações. Como resultado destes avanços, o círculo da sustentabilidade corporativa está se apertando. Há 15 anos, uma empresa era tida como ‘verde’ por medir suas emissões de gases de efeito estufa. Há 10 anos, ‘verdes’ eram as que publicavam esta avaliação e estipulavam qualquer tipo de meta de descarbonização em suas operações. De 5 anos pra cá, só podemos chamar de ‘verdes’ as empresas que atendam ao menos a três requisitos: conhecem as emissões de toda sua cadeia produtiva (da origem de sua matéria prima, passando por todas suas operações, até o descarte do seu produto); definem metas de descarbonização validadas pela SBTi (de preferência incluindo o objetivo de zerarem emissões líquidas antes de 2050); e seguem as recomendações da TCFD dando transparência à sua exposição aos riscos climáticos. Nos próximos anos, o rigor deve aumentar: só poderemos chamar de verdes as empresas que demonstrarem progresso visível em direção às metas de descarbonização e mitigação de riscos climáticos. Estamos entrando na era da transparência e todos têm a ganhar. Empresas se beneficiam pois reduzem suas emissões se tornando mais eficientes e portanto menos dependentes de recursos escassos e cada vez mais caros, como os combustíveis fósseis. Se tornam mais resilientes aos eventos climáticos extremos (como enchentes, secas e deslizamentos) e às mudanças regulatórias ou de mercado (como novos impostos ou padrões de consumo consciente) quando conseguem mapear e mitigar a exposição de suas cadeias produtivas a estes riscos. A sociedade - em particular os mais vulneráveis - se beneficia de um planeta com menor probabilidade de ocorrência de eventos climáticos extremos, menor escassez de recursos e maior estabilidade financeira.
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