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Mais Operação, menos operários...

Apesar do conceito de Indústria 4.0 já ter completado mais de uma década, ainda hoje, grande parte das possibilidades que essa revolução tecnológica pode oferecer, ainda é pouco aplicada ou até mesmo desconhecida. Assim como nos saltos de inovação que as 3 últimas revoluções industriais produziram, esta mais recente eleva exponencialmente a produtividade do ambiente operacional, possibilitando a eliminação contínua de trabalhos manuais e possibilitando que os profissionais do futuro se dediquem a atividades de valor agregado cada vez maior.

Na Indústria 4.0, a conectividade e digitalização são as grandes alavancas de inovação, produzindo efeitos práticos muito significativos na operação das empresas e criando possibilidades como trabalho em tempo real, virtualização, operação “as a service”, descentralização, modularidade e flexibilidade. Para tanto, a Indústria 4.0 utiliza uma combinação de diferentes soluções, muitas vezes de forma integrada, tais como: Internet das Coisas (IoT), Tratamento de imagens, Realidade aumentada, Computação em nuvem, Robotização, Impressão 3D, aprendizado de máquina, “blockchain”, entre outras. No artigo de hoje, convido todos a conhecerem alguns exemplos interessantes de aplicação prática da Industria 4.0 no ambiente operacional, presentes inclusive no Brasil.

A tecnologia de IoT (Internet das Coisas) é uma das mais difundidas no ambiente fabril e operacional devido ao sua adaptabilidade e rápido retorno sobre investimento. Equipamentos com tecnologia de WiFi de alta definição ou RFID, garantem em tempo real, que funcionários não entrem em áreas de risco, ou não permaneçam nessas áreas por mais tempo que o permitido. Essa mesma tecnologia é capaz de evitar colisão de equipamentos, como empilhadeiras, contra outras máquinas ou pessoas, reduzindo custos e salvando vidas. É possível ainda, utilizar IoT para geo-localização na identificação de lotes de produção no depósito ou mapear gargalos de carregamento ou descarregamento de caminhões no pátio de um CD, por exemplo.

Softwares de Tratamento de imagem também são uma nova tendência com múltiplas aplicações. Essa tecnologia vai muito além da já popular identificação facial de acesso. Com o uso de câmeras de alta definição, infra-vermelhas e térmicas já é possível identificar problemas de produção, como falhas de qualidade registradas em tempo real pela medição de materiais em áreas remotas ou insalubres, ou então no apontamento de mudança de coloração de gazes tóxicos que podem comprometer o meio ambiente ou a eficiência da fábrica. O tratamento de imagem é capaz de ver o que o ser humano não é capaz, em tempo real e em centenas de localidades ao mesmo tempo.

Já a Realidade aumentada é capaz de levar os olhos (e seus braços) humanos para outros ambientes de forma virtual, seja para oferecer a experiência de estar em outra realidade com total segurança, seja como preparação para a “vida real” quantas vezes for necessário. Atualmente, treinamentos virtualizados através de Realidade Aumentada, são capazes de garantir ao mesmo tempo, que profissionais possam desenvolver suas habilidades motoras e chegar melhor capacitados no ambiente operacional, sem que as máquinas reais sejam utilizadas, mantendo a linha de produção sem interrupções. Além disso, a Realidade Aumentada, conjugada com a robótica, possibilita que um engenheiro possa ajustar um equipamento em uma área perigosa ou distante de forma virtual, sem se expor fisicamente e sem necessidade de deslocamento.

O Processamento descentralizado e analise de dados em nuvem também fazem parte da Indústria 4.0. É daí que vem a integração entre operações, como: uso de EDI na cadeia de suprimentos, varredura de oportunidades através de Aprendizado de máquina, uso de cadeias transações de pagamento instantâneas, aplicação de blockchain, entre outras diversas tecnologias. Nesse contexto, segurança cibernética passa a ser também parte integrante e fundamental desse salto tecnológico da Indústria 4.0.

A evolução tecnológica não para por ai, e é da combinação de inovações, que novas aplicações surgem constantemente em escala crescente. A chamada Manufatura aditiva, através de Impressoras 3D e uma interminável biblioteca de componentes na nuvem, possibilita que operações em áreas distantes possam produzir peças sobressalentes para máquinas quase em tempo real, sem comprometer a linha de produçãp. Drones com capacidade de tratamento de imagem, são capazes de fazer contagens de estoque, identificar problemas em áreas agrícolas ou realizar monitoramento de segurança em vastos perímetros. Finalmente, Robótica avançada com automação via IA já começa a produzir resultados promissores para a evolução de processos fabris sem necessidade de intervenção humana.

Mais do que acelerar ganhos de eficiência e produtividade que geram ganhos de escala e redução de custos significativos, a Indústria 4.0, será capaz de oferecer ao ser humano uma nova perspectiva, seja como trabalhador ou como consumidor. Por um lado, processos mais seguros e menos repetitivos, oferece ao trabalhador a possibilidade de se dedicar a atividades mais elaboradas e em condições mais dignas. Por outro lado, produtos cada vez mais customizados, produzidos a luz dos desejos de consumo individuais, já são cada vez mais acessíveis ao consumidor a partir de agora.

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