IA generativa aprofunda uso de dados e relacionamento
O furor causado pelo debute do ChatGPT 4, versão mais popular da inteligência artificial (IA) generativa criada pela OpenAI, levantou uma onda de testes e lançamentos de concorrentes, com foco nos benefícios do entendimento de grandes massas de dados e da criação de respostas em linguagem natural.
A Microsoft fechou parceria com a OpenAI e usa o serviço no mecanismo de busca Bing. Com a Nvidia e outros investidores, aportou US$ 1,3 bilhão na Inflection. A fabricante de chips para IA Nvidia passou a valer mais de US$ 1 trilhão graças à nova tecnologia. A Google lançou o Bard e, em junho, a Meta anunciou o Voicebox, modelo para tarefas de geração de voz, como edição, amostragem e estilização através de aprendizagem em contexto.
A AWS anunciou investimento de US$ 100 milhões em um centro de inovação na área e a chinesa Baidu criou um fundo de US$ 140 milhões para startups do setor. Outra chinesa, a Huawei, criou IA generativa voltada para negócios.
Para Alexandre Del Rey, professor e consultor especializado em IA, a capacidade de interação em linguagem natural permite antever usos em processos de atendimento e assistência para leitura de documentos. O primeiro passo, antes de chegar ao mercado, é o uso interno. Os produtos podem até ganhar vida própria.
O Bradesco tem um portfólio de soluções usando a inteligência artificial em desenvolvimento e algumas em uso através de experimentação com áreas de negócio, operações e tecnologia. Entre elas, a aceleração do ciclo de desenvolvimento de sistemas e soluções tecnológicas, com reúso e padronização de componentes técnicos e ganhos de até 40% em eficiência; automação de leitura de documentos e desenvolvimento de assistentes para gestão de conhecimento, com bots para interagir e apoiar os funcionários; e apoio a leitura e interpretação de atas do Copom, com geração de insights caindo de horas para minutos.
Segundo Rafael Cavalcanti, superintendente executivo de inteligência de dados do Bradesco, no mundo de pagamentos, é possível aprimorar a interação do cliente com assistentes virtuais para o entendimento de dúvidas, processamento de documentos e hiperpersonalização, levando em conta o nível de bancarização ou familiaridade com os serviços.
O Mercado Pago fechou em março acordo com a OpenAI e promoveu hackaton entre seus 15 mil desenvolvedores para selecionar meia dúzia de soluções apoiadas na tecnologia. Uma delas, já em uso, é a categorização dos conteúdos de dúvidas dos usuários. O próximo passo é gerar conteúdo e códigos para aplicar melhorias oriundas dessas dúvidas nos produtos da casa. Outra parceria, com o repositório de códigos Github, permite o uso da ferramenta Copilot para revisão automática dos códigos enquanto estão sendo escritos, explica o diretor de produtos on-line para o Mercado Pago, João Pedro de Oliveira Tonini.
O PicPay começou a usar a tecnologia em canais de atendimento para responder dúvidas de usuários com informações alimentadas pelo time de experiência do cliente. Hoje, 10% dos atendimentos são feitos por IA generativa. "A ferramenta foi testada por um mês para assegurar a qualidade e a precisão das respostas", descreve o head de AI da empresa, Renan Oliveira.
Deixe seu comentário