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Europa dispõe apenas de um mês de abastecimento de gás antes de Putin cumprir a sua ameaça de 'desligar as torneiras'

A Europa tem apenas um mês de abastecimento de gás antes de se cumprir a ameaça de Vladimir Putin de desligar os oleodutos se os compradores estrangeiros recusarem pagar em rublos. O Kremlin garantiu, esta sexta-feira, que não iria travar imediatamente as exportações para a Europa uma vez que os pagamentos das entregas com vencimento após 1 de abril ocorrem na segunda metade deste mês e em maio. A Rússia foi atingida por sanções abrangentes sobre a sua economia e comércio desde o início da guerra de Putin na Ucrânia, empurrando o rublo para mínimos históricos, mas as medidas dos Governos da UE não visaram os contratos de petróleo e gás com Moscovo porque muitos Estados-membros dependem fortemente dos abastecimentos do Kremlin. As exportações de energia são a alavanca mais poderosa de Putin enquanto este tenta responder às amplas sanções ocidentais mas o seu espaço de manobra é limitado, uma vez que Moscovo não tem mercados alternativos para o gás que é canalizado para a Europa. "Se Putin desligar o gás, pode ser apenas por um período de tempo relativamente curto. Ele precisa do nosso dinheiro e não pode redirecionar todo o gás natural", garantiu, ao jornal britânico ‘Daily Mail’, um comerciante de gás europeu, que não quis ser identificado. Diversos analistas asseguraram que o plano, que consolida a posição da Gazprom no centro do comércio de gás russo, visa mais proteger a empresa estatal de petróleo e gás de futuras sanções do que privar a Europa do combustível necessário. Mas as últimas exigências de Putin sobre os pagamentos de gás em rublos podem ser vistas como uma tentativa de forçar o Ocidente a evitar as suas próprias sanções à economia russa, já que os compradores precisam de converter moeda estrangeira em rublos, que só estão disponíveis através do banco central sancionado. Putin afirmou que a mudança para rublos visa fortalecer a soberania da Rússia, apontando que o Ocidente estava a usar o sistema financeiro como arma e que não fazia sentido para a Rússia negociar dólares e euros quando os ativos nessas moedas estavam a ser congelados. Dólares, euros e libras também são menos valiosos para a Rússia porque, com o acesso restrito aos mercados internacionais, as moedas são mais difíceis de usar. O Kremlin forçou os exportadores a trocar 80% da moeda estrangeira que recebem em rublos. "Se quiser gasolina, encontre rublos", disse o presidente do parlamento, Vyacheslav Volodin, nas redes sociais. "Além disso, seria correto – onde for benéfico para o nosso país – ampliar a lista de produtos de exportação cotados em rublos para incluir fertilizantes, grãos, óleo alimentar, petróleo, carvão, metais, madeira…" Empresas e Governos europeus permanecem inflexíveis de que vão continuar a liquidar os seus contratos em euros ou dólares e rejeitaram as exigências como uma violação dos acordos existentes. Mas Moscovo não pode facilmente realizar ameaças de interromper as entregas para a Europa porque, embora o Kremlin possa redirecionar pequenas quantidades de gás para a Ásia Central ou a Turquia, a Rússia não tem gasodutos a ligar as centrais a mercados alternativos que compram quantidades de energia na mesma escala que a Europa. A Gazprom poderia armazenar o gás, mas com as taxas de produção atuais, o armazenamento da Rússia estaria completo em menos de cinco meses. Milhares de quilómetros de oleodutos russos poderiam ser usados ​​como armazenamento extra mas campos de gás mais antigos teriam de ser fechados e outros desligados para evitar a superprodução, levando à perda de receitas para a Gazprom e o estado russo. Segundo a Gazprom, 58% das suas vendas de gás natural para a Europa e outros países, a 27 de janeiro, foram liquidadas em euros. Os dólares americanos representaram cerca de 39% das vendas brutas e a libra esterlina cerca de 3%. Ler Mais
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