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As grandes tendências tecnológicas do ano

A feira de tecnologia CES regressou a Las Vegas com a glória dos eventos pré-pandemia e não desapontou as 115 mil pessoas que passaram por lá em quatro dias recheados de lançamentos. Não se pode dizer que tenha surgido uma tendência inteiramente nova no evento, que marca o tom para o resto do ano, mas houve várias que saíram reforçadas e vale a pena analisar. Também foi notório aquilo de que não se falou e parece estar a desvanecer-e em termos de importância. Relacionados Afinal regressámos à normalidade Olhemos primeiro para essa questão: foi surpreendente a quase ausência de buzz em torno do 5G, a nova geração de comunicações móveis que nos prometeram ser revolucionária. Talvez porque já tenha passado a fase da novidade, talvez porque muitos investimentos tenham ficado em suspenso com a sequência de pandemia, guerra, inflação e possível recessão. Mas a verdade é que a tecnologia não foi muito referenciada em keynotes e sessões ou promovida em associação a soluções nos stands dos expositores. Tal como os NFT: tão rápido quanto surgiram foram sugados pelo buraco negro da volatilidade, parecendo também afectados pelos escândalos no segmento adjacente das criptomoedas. Outra coisa que pareceu evidente foi o passo atrás nas ambições grandiosas relacionadas com veículos autónomos. É já bastante claro que a ideia de que teremos carros e camiões autónomos a circular alegremente nas estradas nos próximos anos não vai concretizar-se. E das várias apresentações de construtoras automóveis na feira, incluindo as entusiasmantes keynotes da BMW e da Stellantis, o foco esteve sobretudo na electrificação do parque automóvel e na dotação de inteligência e capacidades digitais. A autonomia, supomos, ficará para depois. Já a tendência da sustentabilidade parece ter ganho um salto tremendo em relação às conferências anteriores. Economia circular, fazer mais com menos, usar materiais reciclados, evitar desperdício, usar a Inteligência artificial para aumentar a eficiência - houve uma noção transversal de que as coisas mudaram e é preciso colocar práticas sustentáveis na linha da frente independentemente do produto de que se trata. Desde sistemas para ajudar agricultores ao plástico reciclado nos gadgets e às iniciativas para reduzir microplásticos nos lençóis de água. É uma boa notícia, ainda que seja justo suspeitar que muitas marcas estão a navegar esta onda mais da perspectiva do marketing que de mudanças estruturais. Outro aspecto interessante foi a resistência do investimento no metaverso, apesar de este ser ainda um espaço indefinido que não está perto de chegar à massificação. Houve vários lançamentos concretos em tecnologias de realidade virtual, aumentada e mista, e as longas filas de participantes à espera de experimentar os dispositivos sinalizou enorme interesse. Aliás, a quantidade de gente que se acumulava no stand da Magic Leap a qualquer hora do dia, maravilhada com os gritos dos utilizadores que estavam a experimentar uma simulação de montanha russa, mostrou isso mesmo. Foram apresentadas t-shirts e luvas hápticas, capazes de dar sensações físicas como peso e gravidade, e soluções que levam o cheiro à experiência virtual. A esperada entrada da Apple neste mercado em 2023 deverá tornar as coisas ainda mais interessantes. Na casa conectada, pareceu evidente a aposta das marcas na melhoria da experiência, não só com a combinação de electrodomésticos mas com a simplificação do seu controlo. Menos fanfarra e mais utilidade. Também surgiram ideias interessantes, como as sanitas inteligentes capazes de testar níveis de vitamina C ou pH, ou os estores inteligentes, comandáveis por voz ou toque numa app. E claro, não seria a CES sem uma bateria de televisores, alguns tão gigantescos que possivelmente não cabem em salas medianas, e ideias engraçadas como tornar a televisão no centro de controlo de todos os electrodomésticos em casa. Muitos dos protótipos mostrados na CES não vão chegar a ser comercializados, ou chegarão ao mercado completamente diferentes. Já sabemos que é assim e isso não importa. Porque é bom perceber que, apesar de tudo o que aconteceu nos últimos anos, a inovação está viva e recomenda-se. Passar quatro dias caóticos em Las Vegas continua a ser a melhor forma de começar o ano para quem gosta de tecnologia.
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