Por que a aprendizagem é estratégica para as pessoas?
É com grande prazer que me integro a esse time de feras com um tema da maior importância para as pessoas e também para as empresas: a educação. Nesse primeiro artigo, convido vocês a pensarem por que devemos encarar a aprendizagem como estratégica e qual o espaço que ela ocupa no seu dia-a-dia. Sou Maria Alice Mendes, fundadora da Devir, consultoria educacional que pensa e atua para maior relevância e por mais resultados na educação.
O que aprendizagem e estratégia têm em comum?
Dizemos que algo é estratégico quando se relaciona ou é concernente à estratégia. Segundo o dicionário Michaelis, estratégia é a “arte de utilizar planejadamente os recursos de que se dispõe ou de explorar de maneira vantajosa a situação ou as condições favoráveis de que porventura se desfrute, de modo a atingir determinados objetivos”.
Duvidando do que aprendi sobre o assunto, recorri a Mintzberg, Ahlstrand e a Lampel e, qual não foi a minha surpresa, os autores apresentam tão somente 10 escolas que traduzem diferentes perspectivas sobre estratégia.
Longe de querer apresentá-las nessas poucas linhas, convido quem estuda esse assunto há muitos anos e tem muitos livros publicados: Henry Mintzberg. Mintzberg[1] não nos apresenta um caminho lá muito simples para chegarmos ao conceito de estratégia. Ele vai nos dizer que a estratégia requer um conjunto de definições[2]. Então, vamos à elas!
Conectando estratégia e aprendizagem
- É um padrão, coerência em comportamento ao longo do tempo
Nessa afirmação, ora olhando para o futuro, ora buscando as referências do passado, a estratégia consiste em pensar à frente, antever o futuro. Porém, com uma certa capacidade de adaptação em face aos eventos inesperados que ocorrem durante o percurso.
2. É algo deliberado e emergente
Para o autor, a estratégia na vida real envolve o previsto, o emergente (aquilo que não era expressamente pretendido) e as intenções plenamente realizadas (estratégia deliberada). A coexistência desses fatores exige doses adequadas no exercício do controle e no fomento ao aprendizado.
3. É posição
Alguns autores percebem a estratégia como posição; o lugar ocupado por um determinado produto em um determinado mercado. Desse ponto de vista, olha-se para dentro para perceber as relações com os clientes.
4. É também perspectiva
Outros, contudo, a percebem como perspectiva que se apresenta como a maneira fundamental de uma organização fazer as coisas. Desse outro ponto de vista, a estratégia está em olhar para fora e perceber as relações com o mercado.
5. É uma manobra, um truque
Nessa abordagem, a estratégia carrega em si todas as definições anteriores e se apresenta como forma de enganar o oponente (ou o concorrente).
De modo bem simples, trago um convite ao aprofundamento desse conceito tão amplo e profundo e que utilizamos, via de regra, de modo informal e corriqueiro em nossas vidas. Nada de pensar que estou defendendo um rebuscamento descabido.
Ok, deixa eu ver se entendi então… para me referir à estratégia agora eu preciso estudar? Não, claro que não! Mas deixe eu te apresentar uma outra perspectiva. Ao sintonizarmos o nosso olhar, veremos que inúmeros convites como esse que ilustro nesse pequeno texto nos são feitos todos os dias, a todo instante. Por distração ou por descuido de nossa parte, muitos deles são recusados.
São tantas as oportunidades de aprendizagem em nossa vida cotidiana; buscar o significado de uma palavra nova no dicionário, procurar estudar uma obra antes de iniciar a leitura, guardar na memória o que estudou há pouco, esforçar-se para relembrar uma situação vivida, inquietar-se, pesquisar, aprender consigo, com as situações diárias, com as suas reações e comportamentos, com as emoções… Não faltam oportunidades para aprendermos a todo momento, mas nós precisamos despertar para essa postura e fazer disso um hábito.
E em que medida ela, a aprendizagem, se torna estratégica?
É nessa linha que considero a aprendizagem estratégica. Falar de educação é falar de um processo que perpassa a vida das pessoas. É um tema potente, que transforma indivíduos e as organizações, gera perspectivas de futuro, muda a vida das pessoas, melhora e amplia o nosso repertório.
A aprendizagem, nesse sentido, é a nossa maior aliada. Ela gera a transformação e tem um enorme poder ao desenvolver as nossas potências. Pensar pela via da aprendizagem, ao meu ver, é buscar a nossa unidade, integrando aquilo que muitas vezes está solto e disperso em nós: nossos interesses, nossa vida profissional, nossos desafios cotidianos, nossos desafios no trabalho e por aí vai. Ela é estratégica justamente porque pode abrir esses novos caminhos e nos ajudar a conquistar a verdadeira autonomia!
Ao incorporar-se à nossa vida e tornar-se um padrão, a aprendizagem nos impulsiona a ver à frente e a buscar mais, recorrendo sempre ao nosso repertório de modo atento pelo já sabido e pelo já vivido. Ela também traz, porém, algo novo e desafiador, que nos exige adaptação em relação aos outros contextos e às experiências novas. Além de se manifestar de modo deliberado, previsto e emergente.
É possível definir a nossa rota de desenvolvimento (e autodesenvolvimento), mas sempre podemos ser desafiados pelo inaudito, imprevisto ou improvável. E aí, preparado? Conforme Mintzberg nos disse, administrar doses adequadas de controle fomenta o aprendizado. É também posição, domínio. Como traçar a minha carreira e quais caminhos percorrer? Seguir uma trajetória especializada, de forte caráter técnico ou inclinar-me para o campo da gestão? Em que mercados desejo posicionar-me ou oferecer os meus produtos e serviços?
Nem sempre olhamos a nossa trajetória recorrendo à estratégia. Muitas vezes nos parece que as oportunidades surgem como fruto do acaso, sem qualquer intencionalidade de nossa parte. Nessa linha, aqui vai uma dica de leitura: “Antifrágil: coisas que se beneficiam com o caos de Nassim Nicholas Taleb”. Afinal, sempre podemos analisar um assunto sob diferentes perspectivas e isso é ótimo. Assim ampliamos e aprofundamos o nosso olhar e o nosso repertório. Mas, se pararmos para avaliar bem essas situações, sempre encontramos alguma conexão com a nossa vontade em algum ponto do caminho.
Quer saber? Desde garota sempre quis escrever e compartilhar pensamentos, experiências e insights, mas não havia me lançado nessa atividade até então. Olha eu aqui! Como estou aprendendo a ser uma colunista, será ótimo receber seus comentários, likes e deslikes. Se ligue no próximo conteúdo e até lá.
[1] Notas sobre o autor: Henry Mintzberg é um renomado acadêmico e autor de diversos livros na área de administração. Ph.D. pela MIT Sloan School of Management. Professor e autor, escreve sobre estratégia em gestão e negócios, com mais de 170 artigos e 13 livros publicados.
[2] Referência: Mintzberg, Henry. Safári de estratégia: um roteiro pela selva do planejamento estratégico. – 2ª ed. – Porto Alegre: Bookman, 2010.