Por Procurement Club | 03/06/2022 ás 07h13 | Atualizado 01/04/2024 ás 06h13

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Jardins biofílicos: bolhas de conforto no caos urbano

Jardins biofílicos: bolhas de conforto no caos urbano
O paisagismo biofílico veio para ficar. Tendência que já fazia parte da aposta de grandes incorporadoras com vistas à obtenção do certificado green building, a vegetação exuberante agora integra os projetos de espaços contemplativos dos empreendimentos — os chamados jardins biofílicos. A explicação pode estar nos anos pandêmicos, que fortaleceram a ideia do lar como refúgio urbano, diz Guilherme Werner, sócio-consultor da Brain Inteligência Estratégica. Essas bolhas de conforto dentro do caos urbano integram a arquitetura à natureza e ajudam a atrair compradores. "A procura por residências com projetos que tenham relação com a natureza só tem aumentado de dois anos para cá. Esse tipo de imóvel tem mais liquidez", afirma Marco Túlio Vilela Lima, CEO da Esquema Imóveis. Desde que passou a certificar seus prédios com o selo Aqua, em 2015, a Trisul S.A. tem investido em prédios com natureza integrada à arquitetura. "Nossos projetos contemplam jardineiras nos apartamentos, áreas comuns com paisagismo, paredes verdes e materiais naturais, que são elementos da biofilia", conta Penélope Bernardo, superintendente de Desenvolvimento de Produto e PDV da empresa. O Arky Cayoaá, em Perdizes, tem jardins de plantas nativas, rede e bancos; e o Península Vila Madalena, novo lançamento da construtora, prevê lounges externos integrados aos jardins e à piscina, cujo entorno abriga várias plantas, incluindo uma pequena "ilha" de árvore em um dos decks molhados. O paisagista Benedito Abbud, que há mais de 20 anos adota elementos que hoje são atribuídos à biofilia, diz que um de seus projetos mais recentes, o Cidade Matarazzo, já mostra os resultados da exuberância da biodiversidade. "Imagina a surpresa de alguém ao ver um pica-pau de topete amarelo no meio de uma cidade como a nossa!", pondera ele, lembrando que o paisagismo pode ser fator decisivo na escolha de um imóvel. "O consumidor já entende o paisagismo como um diferencial e dá preferência a empreendimentos que priorizam espaços verdes integrados à natureza pensando no bem-estar e na qualidade de vida que oferecem", avalia Ana Paula Dominguez da Costa, gerente de Meio Ambiente da Benx Incorporadora, dona do Parque Global, com 58 mil metros quadrados de áreas verdes, onde o ambientalista e mestre em Botânica pela USP Ricardo Cardim aplicou no paisagismo o conceito de "floresta de bolso", técnica natural de restauração da Mata Atlântica. O paisagismo sustentável do Parque Global conta com 197 espécies de plantas nativas. A proximidade com o Parque Burle Marx também foi analisada para que as áreas verdes se integrassem, beneficiando a dispersão de sementes e atraindo a fauna. O Parque Global tem abelhas, borboletas, besouros e aves, uma biodiversidade dá ao morador a sensação de estar fora de um ambiente tão metropolitano como é São Paulo. A "floresta de bolso" de Cardim também está no Harmonie Saúde, da Tarjab, que utiliza plantas nativas da Mata Atlântica e do Cerrado. Na praça central do edifício foram plantadas três jabuticabeiras. "O entorno do prédio será totalmente arborizado, ajudando na umidade do ar e deixando um legado para o bairro", explica o diretor da Cardim Arquitetura Paisagística. Vários projetos da Idea!Zar vos tem arquitetura e natureza interligadas, como o Floresta Vila Ipojuca, densamente arborizado. Agora, a incorporadora está lançando o Tuca, em Perdizes, com paisagismo assinado por Rodrigo Oliveira. Todos os apartamentos terão varandas com floreiras em formato de ‘U’ com sistema de irrigação e plantas escolhidas pelo paisagista. A distância entre as duas torres do prédio equivale à largura de uma rua, e ali Oliveira criou espaços de relaxamento com plantas originárias da Mata Atlântica interligados à piscina. "A ideia foi fazer um paisagismo ‘usável’, para que as pessoas tenham vontade de descer para o térreo e aproveitar o jardim", diz Otavio Zarvos. Quando o verde domina a arquitetura Em várias cidades do mundo, há exemplos de prédios em que o paisagismo é a parte mais importante do empreendimento 2 de 2 Prédio residencial em Bogotá tem a fachada coberta por mais de 115 mil plantas — Foto: REPRODUÇÃO/GRONCOL Prédio residencial em Bogotá tem a fachada coberta por mais de 115 mil plantas — Foto: REPRODUÇÃO/GRONCOL Uma das Sete Maravilhas da Antiguidade, os Jardins Suspensos da Babilônia — cuja existência nunca foi confirmada — poderiam facilmente ser um exemplo exuberante de empreendimento com design biofílico. Pensar a suntuosa construção com seis terraços erguidos em andares que tinham árvores frutíferas, flores e bichos parecia uma ideia fora de propósito até o século X XI, quando prédios de vários cantos do mundo passaram a ostentar esse tipo de paisagismo. Um dos projetos mais recentes que vêm chamando a atenção é o Welcome, Feeling at Work, em Milão (Itália), assinado pela Kengo Kuma & Associates para a Europa Risorse Real Estate. Antes mesmo de ficar pronto — a previsão de entrega é em 2024 — já está sendo considerado um dos projetos arquitetônicos mais sustentáveis da Europa. Multiúso, o prédio reúne escritórios, auditórios e espaços de coworking, restaurantes e comércio variado. Com uma construção quase horizontal, seus telhados são verdes e há jardins com várias espécies de plantas e árvores. Em Cingapura, o edifício Tree House, inaugurado em 2013 , já ficou internacionalmente famoso graças a seu jardim vertical com mais de dois mil metros quadrados, em que a pata-de-vaca é uma das plantas predominantes. Alguns andares do edifício têm áreas comuns que, na prática, são jardins suspensos. Para manter o verde vivo, o prédio foi erguido em formato de rampa para ajudar na absorção da água das chuvas, e as paredes têm dispositivos com sistema de irrigação.


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